"Você pode não gostar, não concordar e até se ofender com o conteúdo aqui escrito. Você pode se expressar livremente, pode argumentar e quiçá mudar a minha opinião, pois enquanto eu viver, não posso e não pretendo ser definitiva. O que você não pode é tentar me impedir de dizer o que penso. Porque, embora eu ache que estejamos muito perto da censura, ainda posso dizer o que eu penso e você ainda pode fechar a janelinha no seu computador."


domingo, 16 de junho de 2013

Nenhuma pátria me pariu



Estamos lutando contra nós mesmos e isso não é de agora. Qualquer protesto é válido, desde que seus militantes tenham ideologia, caso contrário não passa de má-criação de criança mimada. Há dois lados nisso tudo, mas as pessoas escolhem apenas um e desce o sarrafo, afinal, pensar é trabalhoso demais. Cheguei a fazer algumas indagações no Facebook, questionando o porquê de tudo isso, mas é claro que virou um fórum de discussões inúteis (o que eu estava pensando também, né?). Não tenho pretensões aqui de convencer ninguém, mas quero jogar algumas perguntas e alguns fatos e a partir daí, cada um que tire as suas próprias conclusões.  Quem são os inimigo? Os policiais? Os manifestantes? Como tentei dizer na rede social, inutilmente, não estou ao lado de nenhum e tampouco estou contra.  Sou contra este governo fascista (mas falarei dele mais para frente). Polícia mal remunerada (a remuneração inicial prevê salário de R$ 2.382,89, com direito a gratificação de R$ 350 para policiamento ostensivo de rua e R$ 500 para efetivo de Unidades de Polícia Pacificadora. Base do último concurso), despreparada, com jornadas de trabalho cansativas, descontando toda esta insatisfação na “playboyzada” militante. Vamos convir que a classe trabalhadora de fato, estava indo para casa, enfrentando um trânsito horrível (porque patrão não quer saber se você luta ou não, quer é que chegue na hora). Quem estava ali? Os policiais, como já relatei e os filhos da classe média. Numa multidão você encontrará de tudo, encontrará pessoas que estavam protestando realmente,  encontrará pessoas  curiosas, pessoas que queriam roubar, pessoas que queriam se divertir, filhinhos-de-papai mimados que queriam motivos para sair quebrando tudo (pois têm a certeza da impunidade), pessoas indignadas com o governo e pessoas que não tinham nada melhor para fazer.  Agora imaginem a cena: polícias putos da vida, doidos para meter a porrada no primeiro playboy abusado e playboys abusados putos da vida (eles sempre estão putos) com carta branca para vandalizar (porque vândalo em protesto é militante, então pode).  Pronto! Esta é a fórmula para o caos. Escolha o lado e saia especulando, falando, defendendo o seu! Circularam fotos de violência policial, de manifestantes com a cara estourada, circularam vídeos com a polícia distribuindo porrada até para quem gritava “sem violência”. Já falei que a polícia ganha mal e é despreparada? Na mídia conservadora porém as imagens eram outras, se via militantes violentos, portando coquetel molotov, atirando paus e pedras nos polícias aparentemente inertes. Como disse, cada um escolhe um lado e fodam-se os argumentos. Engraçado é que quando os policiais protestavam por condições mais dignas, quando reivindicaram salários justos, ninguém se uniu para ajudar na causa. Neste mesmo blog, escrevi sobre a passeata dos Royalties, todo mundo unido, coisa linda de se ver, né?  Policiais, cidadãos e governantes caminhando e cantando e seguindo a canção.  Talvez toda esta baderna generalizada sirva para alguma coisa, talvez sirva para mostrar que não vivemos numa democracia plena como pensávamos, talvez sirva para prestarmos atenção nas ações que o governo tem tomado. São ações sérias que podem mudar o rumo da nossa história. Não falo apenas da quantidade de pastas ministeriais com orçamentos gordos, falo da tentativa de limitar cada vez mais a nossa liberdade enquanto o governo vai se tornando cada vez mais poderoso e absoluto.  A PEC 33 (que limita as ações do STF) é um exemplo, a PEC 37 (que limita a atuação do MP) é outro. São diversas propostas de emendas constitucionais que sapateiam na constituição. Em abril deste ano, a Câmara aprovou o texto base para uma lei que dificulta a criação de partidos novos, obviamente uma tentativa de tirar a candidata Marina Silva do jogo. E estes são apenas alguns exemplos, há mais coisas debaixo deste tapete que a nossa pobre filosofia sequer possa supor. Todas estas ações cospem na cara da democracia e assistimos a isso, inertes.  O que aconteceu com os mensaleiros condenados? Quem está preso?Ninguém! E o pior, uns ainda estão recebendo salários (Genuíno e cia). Muitas badernas têm acontecido, mas a maioria delas é dentro do governo. São votações secretas, tráfico de influência, superfaturamentos de obras e a farra parece não ter fim. São 12 anos de um governo que nunca escondeu a sua predileção por líderes fascistas. Alguém achou que governaria diferente? Ano que vem é eleição presidencial, esta é a hora de mostrarmos o grau de insatisfação, esta é a hora de vaiar!

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