"Você pode não gostar, não concordar e até se ofender com o conteúdo aqui escrito. Você pode se expressar livremente, pode argumentar e quiçá mudar a minha opinião, pois enquanto eu viver, não posso e não pretendo ser definitiva. O que você não pode é tentar me impedir de dizer o que penso. Porque, embora eu ache que estejamos muito perto da censura, ainda posso dizer o que eu penso e você ainda pode fechar a janelinha no seu computador."


quinta-feira, 21 de abril de 2016

Um peso, duas medidas




 
Quem fala o que quer, escuta o que não quer, já dizia a minha vó. O deputado Jair Messias Bolsonaro deve arcar com a responsabilidade da sua declaração. Se fosse num país mais civilizado, eu poderia afirmar que o discurso que antecedeu o seu voto foi um suicídio político, mas, em se tratando de um país, cuja memória curta elege os mesmos parlamentares ano após ano, eu digo categoricamente que todos esquecerão até as próximas eleições. Que o Bolsonaro é uma viúva da ditadura militar, todos nós sabemos, mas parabenizar um torturador em uma sessão oficial, foi demais até para os padrões dele. Seus fãs esperavam um momento “turn down for what” mais “badass” de todas as declarações de Bolsomito (como estes retardados se referem a ele), mas se depararam com o momento mais vergonha alheia de todos os tempos, digno de tornar a Dilma a pessoa mais sensata do planeta. Muitos de seus possíveis eleitores se sentiram traídos com o elogio a Eduardo Cunha (e eu nem acho que isso tenha sido grave) e afrontados com a homenagem prestada a Ustra. Os mais ferrenhos, procuram, sem muito sucesso, justificar as declarações do “mito”, dizendo que tudo não passou de uma provocação à Dilma, tendo em vista que Ustra teria sido o seu torturador. Seja por ideologia ou por provocação, uma coisa é certa: Bolsonaro é um destemperado! Como dar credibilidade a ele? Como eleger este cara como presidente da nação? Não duvido nada do Estado Islâmico resolver nos atacar de verdade! Já imaginaram o Bolsonaro discursando na ONU? Chamando os terroristas de vagabundos, covardes e dizendo que não tem medo deles? Já imaginaram ele dizendo que terrorista bom é terrorista morto? Dizendo que todos os muçulmanos são safados e merecem morrer? Iríamos conseguir a façanha de ser o país mais odiado que a a Coreia do Norte. Que fique claro que esta não é uma defesa ao terrorismo e sim uma constatação do despreparo e da falta de diplomacia do Bolsonaro. Falar do Bolsonaro é fácil, ele é um vilão caricato, gosta de ser visto assim, seu eleitorado curte exatamente isso. Para falar mal de Bolsonaro não é preciso pesquisar muito, está tudo na superfície. Digite o nome do Bolsonaro no youtube e diversos vídeos polêmicos brotarão na sua tela. Faça um uni duni tê e discorra. Difícil mesmo é argumentar com os partidários do outro lado. Tentem mostrar para um eleitor do Jean Willys que ele é tão extremista quanto o Bolsonaro, que os dois na verdade representam a mesma coisa e me contem como foi. Acho Jean pior que o Bolsonaro. Explico. Jean Willys se revestiu do bom mocismo, da militância em prol das minorias, para ludibriar as pobres almas que o veem como um bom político. Ele não é. Jean não é despreparado, é cínico. Jean não é um analfabeto político, é um desonesto intelectual. Se puniremos Bolsonaro por ter enaltecido um torturador, devemos estender a punição a todos os deputados que citaram Marighella durante a votação. Devemos banir a foice e o martelo da bandeira do PCdoB, por representarem o sistema mais covarde e genocida que o mundo já conheceu, aliás, devemos banir a sigla do partido. Devemos proibir a estampa com a fuça de Che, um dos criminosos mais cruéis da história (e o cara com o marqueteiro mais brilhante do mundo). E o que falar da cuspida de Jean Willys em direção ao Bolsonaro? Pior do que a cuspida só a mentira da sua explicação na rede social. Se Bolsonaro deve ser responsabilizado, Jean também deve. Num mundo perfeito, os dois seriam cassados e suas carreiras políticas soterradas.

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